domingo, 15 de janeiro de 2012

PLENÁRIA DO MOVIMENTO LGBT DE SP: BALANÇO DE 2011, ESTRATÉGIAS PARA 2012

PLENÁRIA DO MOVIMENTO LGBT DE SP: BALANÇO DE 2011, ESTRATÉGIAS PARA 2012


          O ano de 2011 foi um ano marcado por grandes contradições no reconhecimento dos direitos LGBT pelo poder público.

          Apesar do reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo pelo STF, o governo federal cedeu à pressão de fundamentalistas e suspendeu o Projeto "Escola Sem Homofobia". O Legislativo, por sua vez, tampouco aprovou o PLC 122, que criminaliza a homofobia, mesmo com concessões não consentidas pelo movimento.

      No Estado de SP, a despeito de haver desde 2001 a Lei nº 10.948, que pune administrativamente discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, e uma delegacia especializada (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância-DECRADI), ainda temos uma atuação pouco eficaz do governo no combate à violência homofóbica, cada vez mais denunciada.

           Além disso, embora as conferências tenham consumido grande energia das LGBT, uma série de falhas impediu a participação de algumas/alguns e diminuiu o potencial de discussão e proposta daqueles que participaram.

       O movimento LGBT de SP precisa se preparar para as diversas frentes de luta que teremos em 2012, inclusive as demandas que foram apontadas como prioritárias pelas conferências.

       Acreditamos que isso possa ocorrer numa perspectiva da mais ampla unidade da militância LGBT paulista, respeitando-se e preservando-se os espaços de diferenças políticas e ideológicas.

       Para debater as falhas das conferências e iniciarmos a discussão e organização para 2012, dentre as quais a instalação do Conselho Estadual LGBT, convidamos todas e todos para uma Plenária do Movimento LGBT do Estado de SP, a ser realizada no dia 19 de Janeiro de 2012, às 19h00, no auditório da sede da APEOESP (Praça da República, nº 282, República, perto do Metrô).


        Observação: esta convocação está aberta à adesão de todas e todos que concordem com os objetivos desta Plenária.  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

" Hilary Clinton em discurso na ONU a favor dos direitos humanos LGBT"

‎"É violação dos direitos humanos quando as pessoas são espancadas ou mortas por causa da sua orientação sexual, ou porque não estão em conformidade com as normas culturais sobre como homens e mulheres devem olhar ou se comportar. É uma violação dos direitos humanos quando os governos declarar ilegal ser gay, ou permitir que aqueles que prejudicam as pessoas gays fiquem impunes" Hilary Clinton em discurso na ONU a favor dos direitos humanos LGBT"  


Assista até o final é muito importante esta declaração da ONU 


- quem não conseguir tradução, é somente clicar no próprio vídeo no rodapé o "cc" e escolher a tradução da linguagem!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CARTA ABERTA DA PLENÁRIA DO MOVIMENTO LGBT DE SÃO PAULO EM DEFESA DO PLC Nº 122 DE 2006

CARTA ABERTA DA PLENÁRIA DO MOVIMENTO LGBT DE SÃO PAULO
EM DEFESA DO PLC Nº 122 DE 2006

A PLENÁRIA DO MOVIMENTO LGBT DE SP, convocada por um amplo conjunto de redes e organizações do movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais do Estado de São Paulo, realizada no dia 28 de Julho de 2011, na sede da APEOESP na capital paulista, após um intenso, rico e democrático debate sobre as perspectivas e os rumos da luta pela criminalização da homofobia e da necessidade de defendermos o PLC nº 122 de 2006, vem a público por meio dessa carta aberta manifestar nossas posições sobre este tema.

1. Todos os dias, milhões de brasileiras e brasileiros lésbicas, gays, bissexuais, travestis e ou transexuais – LGBT - têm violados os seus direitos humanos, civis, econômicos, sociais e políticos. Essa violação é conseqüência da homofobia, uma das manifestações de ódio e de intolerância contra a humanidade que decorre da ideologia patriarcal e do machismo, e da negação à diversidade sexual, atingindo não apenas a população LGBT, como vimos recentemente na agressão a um pai e seu filho que estavam abraçados e foram “confundidos” como homossexuais. Essa discriminação ocorre tanto no espaço familiar, quanto em locais de trabalho, de lazer, na escola, ou seja, em todos os ambientes de convívio, doméstico e social. E, embora a forma mais aguda e bruta da homofobia seja a dos assassinatos – e o Brasil é recordista mundial nesta lamentável contagem – este ódio passa também pelas piadas ofensivas a LGBT, pelo discurso religioso e parlamentar, pela exclusão escolar, pelo impedimento do acesso ao trabalho ou pela demissão do emprego e a pura e simples negação de direitos. Se é verdade que o Supremo Tribunal Federal aprovou recentemente o reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo com o mesmo “status” das uniões estáveis, também é verdade que o Congresso Nacional não aprovou até hoje nenhuma legislação reconhecendo direitos à população LGBT, apesar de já existirem projetos nesse sentido desde 1995. Esse fato aponta para a extrema covardia do legislativo brasileiro que se esconde por trás das falácias dogmáticas, negando o principio constitucional da Laicidade do Estado que veta qualquer interferência religiosa, corroborando para o aumento das estatísticas de violência homofóbica no país.

2. Acreditamos que as raízes da homofobia são as mesmas de outras formas de opressão que afrontaram a humanidade e que mantém seus pilares até nossos dias: o holocausto nazista contra o povo judeu, o racismo, o machismo e todas as desigualdades sociais. Portanto, a luta contra a homofobia deve estar ao lado da luta de mulheres, comunidade judaica, negras e negros, bem como outros segmentos oprimidos, contra qualquer forma de discriminação. Alertamos, que não há hierarquia de opressões, portanto qualquer que seja o tipo de discriminação, violência e opressão, ela deve igualmente ser punida.

3. O PLC nº 122 de 2006 é uma proposta de legislação condizente com as políticas de direitos humanos da República Federativa do Brasil e contém as garantias mínimas e necessárias para uma lei que de fato criminalize a homofobia e sirva antes de tudo como um instrumento pedagógico de afirmação do compromisso do Estado e da sociedade em nosso País, de combate a esta e a qualquer outra forma de opressão. Reafirmamos nosso ponto de vista no sentido de que não há nada no PLC nº 122 de 2006 que possa ser caracterizado como inconstitucional - por ser evidente que a liberdade de expressão não protege discursos de ódio e discursos que incitem a discriminação e/ou o preconceito em geral - e o Senado Federal tem a obrigação política, como uma casa legislativa e de representação da sociedade, de aprová-lo sem mais delongas.

4. Alertamos ainda que qualquer proposta alternativa ao PLC nº 122 de 2006 será inaceitável, para aquelas e aqueles que de fato têm compromisso na luta contra a homofobia, se não trouxer em seu conteúdo dispositivos hoje presentes no PLC nº 122 de 2006, como a proposta referente ao artigo 20 da Lei nº 7.716 de 1989, e tal proposta jamais poderá ser inferior aos parâmetros legais da criminalização do racismo.

5. Apelamos aos parlamentares que têm sido aliados as lutas de direitos humanos e da população LGBT em nosso País para que não negociem textos novos, emendas ou substitutivos, que impliquem em previsão legal da tipificação criminal da homofobia em bases inferiores ao racismo ou qualquer outra opressão e violência. Numa legislação de direitos humanos, é inaceitável que se hierarquize as opressões, como se uma fosse mais grave do que a outra.

6. Conclamamos a militância LGBT de todo o Brasil à mobilização em torno da defesa do PLC nº 122 de 2006 e pela criminalização da homofobia nas mesmas bases do racismo, e propomos que essa mobilização nacional se dê especialmente nas ruas, na perspectiva de um dia nacional de luta em defesa do PLC nº 122 de 2006 e pela criminalização da homofobia.

7. A construção de uma sociedade efetivamente democrática passa pelo reconhecimento dos direitos de todas e de todos, sem exclusões de qualquer tipo, razão pela qual a luta pela criminalização da homofobia, mais do que uma luta da população LGBT, é uma luta de todas as brasileiras e todos os brasileiros.